sábado, 12 de abril de 2008

nível dos rios em Santarém


O nível dos rios em Santarém não depende das chuvas que aqui caem, mas sim das chuvas rio acima.

Os dados consolidados do trimestre Nov/Dez/2007-Jan/2008 do INMET - Instituto Nacional de Meteorologia evidenciam grandes desvios de precipitação acima da normal climatológica em quase toda região amazônica, notadamente sobre os rios Solimões e seus afluentes da margem direita, rio Negro, rio Amazonas a montante de Santarém, rio Madeira, e nas cabeceiras dos rios Teles Pires e Juruena, formadores do rio Tapajós, acarretando a rápida e forte elevação do nível dos rios Amazonas e Tapajós observada na região de Santarém.

Durante o mês de fevereiro as chuvas foram praticamente normais ou abaixo da normalidade em toda Amazônia. Mais recentemente, em março, as chuvas foram acima da normalidade apenas na região leste do Estado do Amazonas e no próprio Estado do Pará.

Considerando a velocidade de escoamento das águas dos rios e as distâncias a serem percorridas, o excesso de chuvas terá se escoado neste mês de abril e, se não houverem maiores surpresas, arrisco dizer que o nível dos rios não ultrapassará o nível atingido em 2006, quiçá alcançá-lo.

anomalias de precipitação


Clima é a média do tempo (meteorológico, situação atmosférica) observado ao longo de um período de trinta anos.

As médias das diversas variáveis meteorológicas (por exemplos temperatura, pressão, umidade, insolação, intensidade e direção do vento, precipitação) são chamadas normais climatológicas. O período climático mais recente usado para estabelecer as normais climatológicas vai de 1961 a 1990.

Os desvios observados em relação às normais climatológicas são chamados anomalias.

O gráfico mostra, através da faixa de cor azul, a normal climatológica de precipitação (chuva) em Santarém, enquanto a linha de cor laranja indica a precipitação mensal ocorrida em Santarém ao longo dos últimos doze meses, conforme dados do INMET - Instituto Nacional de Meteorologia.

Pode-se observar que durante o ano passado o comportamento das chuvas foi razoavelmente normal, enquanto nos meses deste início de ano foi bastante anômalo, oscilando muito acima e pouco abaixo da normalidade.

sábado, 29 de março de 2008

Floresta em Pé

floresta em pé araucárias paraná derrubada trigo pinhão
Jorge Luiz Vivan relata em seu livro “Agricultura e Florestas” [1] que, quando os italianos chegaram ao sul do Brasil no final do século 19, derrubavam araucárias (Araucaria angustifolia) com mais de 45 metros de altura e 3 metros de diâmetro para plantarem trigo, cujas sementes haviam trazido da Itália, e era a cultura que conheciam. Numa área correspondente à copa de uma dessas árvores, cerca de 600 metros quadrados, colhiam 60kg de trigo, enquanto uma araucária podia produzir 300kg de pinhões. Não o teriam feito se conhecessem o potencial produtivo das araucárias, cujas florestas não se recuperaram desde então. É uma lição a ser aprendida. [2]
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O Projeto "Floresta em Pé", lançado neste mês de março pelo IBAMA em Santarém, pode ser um passo muito importante no sentido da preservação das florestas. Compreende cooperação técnica entre os governos do Brasil e da França, e parcerias envolvendo empresas e comunidades no Estado do Pará, promovendo e apoiando iniciativas comunitárias de manejo sustentável da floresta amazônica. [3]
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[1] Vivan, Jorge L.
“Agricultura e Florestas – Princípios de uma Interação Vital”
Guaíba, RS - 1998
Editora Agropecuária
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[2] Não sendo anacrônico, na época não tinham conhecimentos, mas hoje temos, e persistir no erro do desmatamento puro e simples, é ignorância.
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[3] Desde então o IBAMA foi dividido, criou-se o ICMBio, e mais recentemente (2018-19) a instituição perdeu recursos, o que dificulta a manutenção dos projetos.
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Foto: © Nelson Wisnik, 2009
..........Araucária angustifolia plantada por mim em 1997 no Distrito de Barão Geraldo, Campinas SP, a partir de semente (pinhão) recolhido na Serra da Mantiqueira

quinta-feira, 27 de março de 2008

curto e grosso

"Os países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não renováveis do planeta. Terão que montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos"
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Henry Kissinger, 1994
quando era Secretário de Estado dos Estados Unidos da América

quinta-feira, 20 de março de 2008

Brassavola martiana Lindl.

orquídea amazonia orchid amazon Brassavola martiana Lindl. Santarém lago Maicá

Inflorescência de orquídea Brassavola martiana Lindl. flagrada em igapó no Lago do Maicá em Santarém, PA.

A espécie foi descrita no documento Flora Brasiliensis, produzido entre 1840 e 1906 pelos editores Carl Friedrich Philipp von Martius, August Wilhelm Eichler e Ignatz Urban, com a participação de 65 especialistas de vários países. Contém tratamentos taxonômicos de 22.767 espécies, a maioria de angiospermas brasileiras, reunidos em 15 volumes, divididos em 40 partes, com um total de 10.367 páginas."


Família Orchidaceae
SubFamília Monandrae
Tribo Laellinae Pfitzer
SubTribo Cattleyeae Pfitzer
Gênero Brassavola R.Br.
Seção Sessililabia
Cogn. Brassavola martiana Lindl.
Vol. III, Part V, Fasc. 123 Colunas 261 - 262 Prancha 61
01 de junho de 1898

O documento está disponibilizado na internet, podendo ser acessado ativando o endereço correspondente na coluna "Visite" ao lado.

Foto: © Nelson Wisnik, 2008
Prancha: Flora Brasiliensis

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Unidades de Conservação

unidades de conservação na amazonia extrativismo floresta nacional Flona Arapiuns Tapajós
No Estado do Pará há diversas Unidades de Conservação, às margens do rio Tapajós próximas a Santarém estão a Floresta Nacional do Tapajós e a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns.

Uma Floresta Nacional (FLONA) é uma unidade de conservação voltada principalmente à problemática ambiental, "uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas".

A FLONA Tapajós está situada nos municípios de Santarém e Belterra, à margem direita do rio Tapajós, limitada a leste pela rodovia BR-163 Cuiabá-Santarém, ao sul pelo rio Cupari e ao norte faz fronteira com a área rural de Belterra. Para maiores informações sobre as atividades e projetos desenvolvidos na FLONA Tapajós visite o site indicado neste blog.

Uma Reserva Extrativista (RESEX) está relacionada a uma área onde as questões ambientais e sociais são indissolúveis, "é uma área utilizada por populações locais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade".

A RESEX Tapajós-Arapiuns, como o nome indica, tem como fronteiras e acessos principais os rios Tapajós a leste e Arapiuns ao norte. Para maiores informações sobre a RESEX Tapajós-Arapiuns visite o site indicado neste blog.

Outros tipos de Unidades de Conservação são as Áreas de Preservação Ambiental, de Relevante Interesse Ecológico, Estações Ecológicas, Parques Nacionais, Refúgios de Vida Silvestre, Reservas de Desenvolvimento Sustentável, de Fauna, Particular de Patrimônio Natural, Biológicas e Ecológicas.

Quem tiver interesse em saber mais a respeito de Unidades (ou Áreas) de Conservação pode acessar o endereço:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Área_de_conservação

domingo, 24 de fevereiro de 2008

"Tupi or not Tupi" (*)

lingua Nheengatu tupi guarani lingua geral amazonia lingua portuguesa santarém barco
Em geral as pessoas que viajam conosco no barco Nheengatu têm curiosidade sobre a origem deste nome.

Nheengatu é a língua geral, falada no Brasil até aproximadamente 1758. Faça as contas, de 1500 a 1758 anos são 258 anos, e de 1758 a 2008 são 250 anos, portanto falamos durante mais tempo Nheengatu do que estamos falando Português! Falamos uma língua tão embebida de NheengatuPortuguês que já a chamam de Brasileiro(a).

Nheen significa fala, e gatu significa boa, ou seja, língua fácil de ser entendida (pelos Tupis, é claro).

"A palavra Tupi significa o grande pai ou líder. Ora, os Tupis se achavam o máximo tanto que chamavam a si mesmos de tupis. Já Guarani significa guerreiro." (**)

Morumbi, por exemplo, significa mosca verde, varejeira.

O uso do Nheengatu foi proibido através de decreto do Marquês de Pombal, Ministro Plenipotenciário de Portugal, sendo instituído o Português como língua oficial. Teve seus motivos.

Segundo uma das versões havia sido descoberto ouro em Minas Gerais, sendo então enviados os coletores de tributos (20%, um quinto da produção, o quinto dos infernos), que não sabiam falar o Nheengatu. Como identificar se estavam sendo ludibriados? Falando a mesma língua. Assim, nada mais natural então que fazer com que todos falassem a língua dos coletores.

Outra relata que o decreto visou reduzir o poder dos Jesuítas, que a falavam fluentemente e tinham grande influência na colônia. Acabaram por serem expulsos do Brasil, com a distribuição de suas posses (que não eram poucas, incluindo índias cativas) entre os puxa-sacos de plantão (que já existiam desde tempos imemoriais e sobreviverão à própria espécie humana).

Em uma terceira versão, defendida pelo historiador Evaristo Miranda em seu livro "Quando o Amazonas Corria para o Pacífico - Uma História Desconhecida da Amazônia", instituir a língua portuguesa em lugar da brasílica (como é chamada pelos acadêmicos a língua Nheengatu) fez parte de uma estratégia mais ampla que culminou com a anexação da Amazônia ao império português, embora situada a oeste da linha de Tordesilhas. Mas esta história será contada em outra postagem.

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Uma estória indígena:

"Era uma vez um macaquinho guloso que soube que haviam frutas numa certa cumbuca feita de uma árvore chamada sapucaia. Introduziu a mão no recipiente. Ao tentar tirá-la, a mão ficou presa. Assustado, o bichinho disparou-se aos pulos pela floresta arrastando a sapucaia e gritando desesperadamente: Ai! Ai! Ai! Cuimbisca hu pscá se pú! Ai! Ai! Ai! Cuimbusca hu pscá se pú! (Ai! Ai! Ai! Cumbuca pegou minha mão).

Os macacos se assustaram e foram ajudar o macaquinho em apuros. Seguraram o filhote e chamaram o macaco mais velho para aconselhar como retirar a mão do macaquinho da cumbuca. O velho examinou a cumbuca, pegou uma pedra e, em repetidos golpes, quebrou a cumbuca, libertando a mão do macaquinho travesso.

Recuperado do susto, o filhote perguntou ao macaco velho: Macaca tamuia taá inti ana cuimbisca hu pscá ana i pú? (Vovô, cumbuca já pegou sua mão?) Respondeu o macacão: Macaca tuiué inti hu mundéo i pú cuimbisca o pé (Macaco velho não mete mão em cumbuca).


cuimbusca / cuimbisca "cumbuca" — kuî-(?) "cuia (...?)"
hu sufixo verbal de 3ª pessoa — o-
pscá "pegar" — pysyk
se "meu" — xe
pú "mão" — pó
macaca "macaco" — do português
tamuia "avô" — tamy-îa "avô", "antepassado"
taá partícula interrogativa — (?)
inti "não" — talvez de ndi týbi "não há"
ana partícula indicativa de passado — (?)
i "seu" — i "seu" ("dele")
tuiué "velho" — tuîba'e
mundéo "meter" — mondeb
o pé "dentro de" — pupé (upé em algumas línguas tupi-guarani)
Fonte:
http://tupi.wikispaces.com/YRL+-+textos+-+Macaco+velho+não+mete+mão+em+cumbuca

acesso em em 28 de dezembro de 2007

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(*) Oswald de Andrade
(**) Ozias Alves
Jr

Manifesto Munduruku

Nós, povo Munduruku, que ocupamos as terras indígenas do médio e alto Tapajós, em um total de 13 mil índios, nos municípios de Itaituba, Tr...